A tradição dos cafés coloniais se tornou conhecida devido à procura de viajantes e de turistas, que ao chegarem tarde da noite em regiões pouco movimentadas, onde não havia hotéis ou mesmo restaurantes, eram acolhidos pelos colonos.
Os moradores destas localidades prontificavam-se a atender os viajantes, com alojamento e refeições, colocando à mesa o que havia de melhor dentro dos costumes germânicos. O café colonial também tem sua origem na mesa de muitos agricultores que povoaram as mais diversas regiões agrícolas do mundo.
O café matinal representava a mesa farta do colono, que antes de iniciar seu dia muito cedo, tomava um reforçado café da manhã. Era esse lanche matinal que proporcionava energia suficiente para o desempenho das árduas funções do dia.
Morro Reuter foi o berço do café colonial, na época em que ainda era distrito de São Leopoldo. Depois de Dois Irmãos, Gramado e Canela deram fama nacional ao café acompanhado de dezenas de iguarias, cada vez mais sofisticadas.
Dois Irmãos ostenta o título de Capital do Café Colonial. Mas foi no Morro Reuter, à beira da estrada federal (BR-116), que nasceu o chamado café com mistura que veio se tornar uma atração turística. Ainda nos anos 50, o restaurante do Turista, e o Galeto Copacabana começaram a servir um café reforçado por muitos produtos da colônia alemã.
Passageiros do ônibus e carros que trafegavam pela faixa federal, como era chamada a estrada de chão batido, não resistiam ao apelo do galeto servido com massa caseira, polenta e saladas. Foi quando os Feltes começaram a oferecer, além de almoços, um café com acompanhamentos caseiros que batizaram de café com mistura.
Junto com as xícaras e bules, vinham para a mesa de pães de trigo e milho, roscas de polvilho, cucas, queijo, linguiça, morcilha, queijo-de-porco, nata, requeijão, mel, salsicha bock, rocambole, rabanete e pepino, tudo de produção própria. Nascia o Morro Reuter, logo famoso café colonial, também servido nas mesas da Rodoviária e no restaurante do Turista.
O café colonial é uma das mais autênticas tradições da cultura e da cozinha alemã, tanto é que ainda hoje em toda cidade de população de origem alemã, as famílias conservam este costume aos domingos à tarde. As mesas repletas de cucas, pães, apfelstrudel (torta de maçã), schmier, nata, queijo, salame, mel, queschmier, morcilias, conservas, chocolate quente, café, chás, wafles, tortas.
É um tipo de café de mesa farta, não precisa ser necessariamente café da manhã, pode ser degustado a qualquer momento do dia.
Santa Catarina: na maioria das cidades, das serras ao litoral, mesmo nas que não tiveram colonização germânica. Destaque para Joinville, Blumenau, Anitápolis, Santa Rosa de Lima, Grão Pará.
Paraná: Curitiba, São José dos Pinhais, Rio Negro, Quatro Barras, Foz do Iguaçu e Morretes
Rio Grande do Sul: destacam-se Gramado, Canela, Nova Petrópolis e Santa Cruz do Sul
Pratos/comidas do café colonial:
Pães variados, manteiga, queijos, chimia, bolos, presunto, salsicha bock, linguiça caseira e outros embutidos, cuca, carne de porco, salgados, rosca de polvilho, biscoitos, keschmier e mel, polenta, etc; a maioria destes produtos são artesanais.
Bebidas do café colonial
Vinho branco, vinho tinto, sucos de uva, chocolate quente, leite, café, chás, sucos de frutas da região.
Chimarrão símbolo da hospitalidade gaúcha
O chimarrão (ou mate) é uma bebida característica da cultura do sul da América do Sul. É um hábito legado pelas culturas indígenas quíchuas, aimarás e guaranis. É composto por uma cuia, uma bomba, erva-mate moída e água morna.
O termo “chimarrão” é o adotado no Brasil, embora seja um termo oriundo da palavra castelhana cimarrón, que designa, por sua vez, o gado domesticado que retornou ao estado de vida selvagem e também o cão sem dono, bravio, que se alimenta de animais que caça. O chimarrão chegou a ser proibido no sul do Brasil durante o século XVI, sendo considerada “erva do diabo” pelos padres jesuítas das reduções do Guairá. A partir do século XVII, os mesmos passaram a incentivar seu uso com o objetivo de afastar as pessoas do álcool.
O chimarrão é montado com erva-mate moída, adicionada de água quente (sem ferver).
Um aparato fundamental para o chimarrão é a cuia, vasilha feita do fruto da cuieira ou do porongo, que pode ser simples ou mesmo ricamente lavrada e ornada em ouro, prata e outros metais, com a largura de uma boa caneca e a altura de um copo fundo, no formato de um seio de mulher (no caso do porongo) ou no de uma esfera (no caso da cuieira).
O outro talher indispensável é a bomba ou bombilha, um canudo de cerca de seis a nove milímetros de diâmetro, normalmente feito em prata lavrada e muitas vezes ornado com pedras preciosas, de cerca de 25 centímetros de comprimento, em cuja extremidade inferior há uma pequena peneira do tamanho de uma moeda e, na extremidade superior, um bocal, muitas vezes executado em ouro.
O chimarrão pode servir como “bebida comunitária”, apesar de alguns aficionados o tomarem durante todo o dia, mesmo a sós, é símbolo da hospitalidade sulista tido por alguns uma espécie de cachimbo da paz.
Fonte: www.comitivagastronomica.wordpress.com