O tradicional doce de queijo com goiabada chegou ao Brasil na época dos engenhos. Hoje, o famoso Romeu e Julieta já faz parte de bolos, tortas, brigadeiro e quantas sobremesas a criatividade brasileira deixar.
O nome da combinação faz referência à famosa obra do escritor inglês William Shakespeare. Mas o apelido pegou apenas na década de 60, muito depois da invenção.
Na ocasião, uma campanha publicitária de uma marca de goiabada apresentava o Cebolinha e a Mônica, da Turma da Mônica, como Romeu e Julieta. A partir daí, o nome se popularizou, conta a pesquisadora de história da alimentação e autora de livros sobre o tema e do blog Garfadas Online, Ana Marques Pereira.
Na receita, Romeu é o queijo e a Julieta a goiabada.
A pesquisadora acredita que os portugueses que moravam no Brasil teriam desenvolvido a combinação para substituir a marmelada, um doce de sua terra natal. Em terras brasileiras, com saudades da sobremesa, essa população teria recorrido à goiabada para matar a vontade.
O queijo também teria chegado ao Brasil pelos portugueses. Mas, de lá para cá, evoluiu com a interferência de outros imigrantes e tem a sua popularidade cada vez maior no país.
Já a goiabada vem de uma fruta nacional. O doce, que nasceu para conservar a goiaba, consome 80% de toda a fruta direcionada para a indústria. Apesar de saborosa, a goiaba não é popular na mesa brasileira e enfrenta dificuldades nas lavouras por causa de pragas.
Além disso, a goiaba brasileira não é atrativa para o mercado externo, já que quase toda a produção é voltada para a fruta com a polpa vermelha, enquanto para o restante do mundo a preferência é pela branca.
O Romeu
Ao que tudo indica, a combinação da goiabada com o queijo surgiu em Minas Gerais. A princípio, o “Romeu” dessa dupla seria o queijo minas padrão. Conforme a combinação se difundiu no Brasil, outras variedades foram tomando conta, explica Silmara Figueredo, consultora de marketing da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq).
Silmara explica que a diferença do minas padrão é que ele é mais prensado, leva entre 20 a 25 dias para maturação, se transformando em um queijo mais seco, um pouquinho mais salgado e ligeiramente acidificado.
Mas, dependendo da receita, qualquer queijo pode ser usado. Em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, é mais comum fazer a combinação com o minas frescal, alguns pratos levam cheddar, parmesão, entre outros.
A Julieta
A goiabada surgiu como um meio para aproveitar a fruta durante todo o ano, já que é um produto de safra, explica José Egídio Flori, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido.
Além do açúcar ser um componente para a conservação, a fruta tem algumas características que favoreceram a criação do doce. Uma delas é a pectina, que a faz endurecer e alcançar o famoso “ponto” da culinária.
Ela também é rica em licopeno, uma substância que ajuda a prevenir o câncer e é responsável pela coloração vermelha do doce.
Fonte: g1.globo.com
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